terça-feira, 24 de maio de 2011

A marcação de datas produz efeitos negativos

Olhando para a previsão de fim do mundo do sábado 21 de maio, um cristão do Texas disse que muitos dos seguidores de Harold Camping que deixaram seus empregos, casas e gastaram seu dinheiro irão ser devastados espiritualmente ao ponto de provavelmente perder a fé. Como ele sabe? É porque ele teve uma experiência como essa com uma previsão de fim do mundo aproximadamente 23 anos atrás. Ainda jovem, o autor cristão Jason Boyett e seus amigos de juventude acreditaram que seriam engolidos pelo arrebatamento de setembro de 1988, previsto pelo engenheiro da NASA Edgar Whisenant. “Eu acho que a experiência do ‘arrebatamento’ teve um papel real na minha mentalidade cética que começou a se desenvolver.”

Em seu livro O Me of Little Faith (Minha Pouca Fé), ele escreveu como buscou a fé no meio de ceticismo e dúvida. Boyett prevê que as coisas não serão diferentes para os seguidores impressionáveis de Camping. “Você vai encontrar muita gente deixando e perdendo a sua fé”, disse ele ao The Christian Post. Boyett disse que aqueles que dispuseram muito do seu tempo e recursos para difundir essa mensagem do dia do julgamento vão se sentir traídos por seu próprio senso de fé e esperança, de uma forma que será difícil para eles continuarem a acreditar. “As esperanças que depositam nesse evento serão frustradas”, disse ele. [...]

A Family Radio de Camping era simplesmente uma rede de rádio sem fins lucrativos, com 65 estações nos EUA em 1958. Agora é uma organização multimilionária na era digital, onde há muito mais pontos de venda para atingir o público. A CNN informou que o ministério recebeu 80 milhões de dólares em contribuições entre 2005 e 2009 – 18 milhões dessas contribuições foram recebidas só em 2009.

“É fácil para nós sentarmos aqui e zombarmos de Harold Camping... ele vai passar por isso”, disse [Boyett]. “Mas o que nós temos que lembrar é que ele tem um monte de gente cuja vida e fé serão devastadas.” Ele continuou: “Como resultado, muitos deles perderam dinheiro, muitos deles que deixaram seus postos de trabalho estarão em uma situação difícil.”

Assim como ele, Boyett supõe que as crianças cujos pais tomaram decisões com base na previsão cresçam pensando: “Eu não posso confiar no que meus pais me dizem, no que o pregador me diz e no que a Bíblia me diz.” Além disso, a previsão de Camping provavelmente vai alimentar percepções negativas sobre os cristãos.

“O que Harold Camping faz é dar às pessoas do lado de fora munição para dizer: ‘Esse homem é um doido; ele é um cristão. Cristãos são doidos. Se você é cristão, por que eu deveria ouvir o que você está dizendo’”, lamentou.

Boyett alertou os cristãos: “Meu conselho seria que sempre quando você colocar muita fé em um ser humano, você vai se decepcionar.” Ele também espera que aqueles que ficaram desapontados por Camping percebam que “o que Harold Camping disse e ensinou não é a essência do Cristianismo”.

(Christian Post)

Nota: No fim de semana, durante um bom tempo, no Twitter, tópicos como “fimdomundo” e, depois do dia 21, “frasesposfimdomundo” ocuparam os primeiros lugares nos Trending Topics. Infelizmente, o assunto foi motivo de chacota e há quem defenda que Camping deveria vir a público pedir desculpas por ter envergonhado o nome dos cristãos. Alguns blogs até promoveram algum tipo de concurso de fotos debochadas do “arrebatamento”, como esta:


Realmente é lamentável que muita gente ainda acredite nesse tipo de “profecia”, quando a própria Bíblia é bem clara em afirmar que ninguém sabe quando será o dia e a hora da volta de Jesus (Mt 24:36). Alguns mais apressados até já compararam essa falsa previsão de Camping com o desapontamento provocado pela pregação dos mileritas, no século 19, especialmente nos Estados Unidos (leia mais sobre isso aqui). O fato é que o ex-deísta convertido à Igreja Batista Guilherme Miller e seus companheiros de pregação não erraram na data anunciada pela profecia de Daniel 8 e 9. Eles erraram quanto à interpretação do que iria acontecer em 22 de outubro de 1844: o início do chamado juízo investigativo, no Céu, e não a volta de Jesus. Além disso, é bom lembrar que, embora fossem chamados deadventistas os crentes de várias denominações que creram na mensagem de Miller, a Igreja Adventista do Sétimo Dia somente foi formalmente organizada em 1863, portanto, quase 20 anos depois do grande desapontamento. Miller nunca se tornou adventista do sétimo dia, embora tenha permanecido fiel a Deus e a suas convicções até o fim da vida. Além disso, é bom lembrar que esse desapontamento havia sido anunciado pela profecia de Apocalipse 10, e teve, apesar de tudo, efeitos bastante positivos na vida de muita gente, assim como o desapontamento da cruz (a falsa esperança de que o Messias Jesus reinaria na Terra, naquele tempo) ajudou a “peneirar” os crentes que fundariam o movimento cristão. De certa forma, podemos dizer que o cristianismo nasceu do desapontamento da cruz.

Conforme lembra o pastor Sérgio Santeli, do blog Minuto Profético, Ellen White, ex-metodista e uma das pioneiras da Igreja Adventista do Sétimo Dia, advertiu quanto à marcação de datas: “Quanto mais frequentemente se marcar um tempo definido para o segundo advento, e mais amplamente for ele ensinado, tanto mais se satisfazem os propósitos de Satanás. Depois que se passa o tempo, ele provoca o ridículo e o desdém aos seus defensores... Os que persistem neste erro, fixarão finalmente uma data para a vinda de Cristo num futuro demasiado longínquo. Serão levados, assim, a descansar em falsa segurança, e muitos se desenganarão tarde demais” (O Grande Conflito, p. 457).

Ellen foi uma das milhares de pessoas que acreditaram na pregação de Miller, mas, diferentemente da maioria do mileritas, não abandonou a fé. Juntamente com um pequeno grupo de crentes, ela se voltou ao estudo das Escrituras com muita oração, até compreender corretamente o que havia acontecido e o que irá acontecer. Desse grupo de crentes oriundos de várias igrejas, mas unidos no propósito de conhecer e praticar os ensinos bíblicos, Deus deu origem à Igreja Adventista do Sétimo Dia.[MB] 

terça-feira, 17 de maio de 2011

A cultura da decadência


Quando me perguntam o que acho de As Crônicas de Nárnia, deixando de lado a tremenda capacidade narrativa de C. S. Lewis e sua criatividade invejável, digo que a intenção do autor foi boa, já que ele quis transmitir a mensagem bíblica por meio de parábolas. Ocorre que a aventura e as mitologias entremeadas na história são tão empolgantes e destacadas que acabam por se sobrepor demais à intenção por trás da trama. As crônicas viram puro entretenimento – com batalhas épicas e muita magia – misturado com detalhes preocupantes. O livro é bom, bem escrito, mas biblicamente “diluído”, se posso dizer assim.

E o que dizer do ainda mais conhecido O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien? Lewis deixou de ser ateu e se tornou anglicano em grande parte devido à influência de pessoas como o católico Tolkien, amigo pessoal do professor de Oxford. O romance de Tolkien é bastante maniqueísta, com clara demarcação entre o bem e o mal. Mas, diferentemente do que ocorre em As Crônicas de Nárnia, não há intenção “evangelística” alguma na obra de Tolkien. Trata-se de uma aventura que mistura elementos das mitologias nórdica e germânica, num mundo imaginário (Terra Média) povoado de seres míticos como elfos, hobbits e magos.

O épico do momento é A Guerra dos Tronos, primeiro volume da série As Crônicas de Gelo e Fogo, escrito por George R. R. Martin. Chamou-me a atenção a matéria “Dez razões pelas quais A Guerra dos Tronos é (muito) melhor do que O Senhor dos Anéis”, publicada no site da revista Veja. Pelo tom bombástico do título, pensei: “Deve ser um romance muito, mas muito bem escrito; algo realmente grandioso para ser considerado tão melhor do que a obra de Tolkien.” Então fui conferir as tais dez razões pelas quais Vejaconsidera A Guerra dos Tronos (muito) melhor do que O Senhor dos Anéis. Destaco três delas:

1. Os personagens transam, escarram, defecam e ficam de ressaca. “Enquanto Tolkien parece viver um platonismo cego, Martin leva o realismo às últimas consequências. As páginas transbordam de descrições vívidas de sexo e violência. Nas batalhas, há estupros e infanticídios. Nos castelos, prostitutas luxuriosas e banquetes cheios de gula. ‘Já era tempo de a fantasia crescer e se tornar adulta’, declarou o autor em entrevista a Veja.”

4. Martin não tem nenhum princípio. “O autor de Crônicas não está preocupado com leitores de estômago fraco. Tudo que é sujo e já existiu na humanidade está presente na trama: traição, incesto, prostituição, roubo, estupro, violência, crueldade, infanticídio, eutanásia, aborto. Pode pensar no que quiser de sórdido e moralmente questionável, estará lá.”

9. Há personagens para todos os gostos. “Os personagens vivem todo tipo de drama: da deficiência física à paixão incestuosa entre irmãos. Enquanto as criaturas de O Senhor dos Anéis são movidas por honra ou ódio, os moradores de Westeros respondem à chantagem, rancor, paixão, amor, luxúria, fidelidade, ambição e confusão – motivações muito mais próximas da realidade.”

Se As Crônicas de Gelo e Fogo é o melhor que temos em termos de literatura popular nesta primeira década do século 21, podemos considerar ótimo O Senhor dos Anéis e maravilhoso As Crônicas de Nárnia. Os valores morais estão em franca decadência, em todas as áreas. Isso me faz lembrar as palavras de um amigo que disse: “Você não concorda com o ‘ficar’, não é? Mas, se seu filho estiver ‘ficando’ com uma garota, considere-se feliz: é com uma garota...”

Chegamos a um tempo em que a opção ficou entre o péssimo e o menos pior. Preocupa pensar que dias piores virão

Igrejas e sindicatos defendem descanso dominical

Em 20 de junho será lançada em Bruxelas a Aliança Europeia para o domingo. Pela primeira vez, sindicatos e igrejas da Europa estão na mesma linha. É o que garante a Comissão dos Bispos da União Europeia (Comece), que adverte que as razões da aliança são tanto religiosas como sócio-políticas. A proteção do domingo, cujo desaparecimento, na prática, como um dia festivo “poria em cheque um benefício social milenar” conduz à denúncia de uma nova escravidão: enquanto muitos podem usar esse dia para desfrutar de sua família e amigos, cada vez são mais aqueles que têm que trabalhar em grandes centros comerciais e de entretenimento. Além da Igreja Católica, várias instituições evangélicas aderiram à iniciativa. E da Espanha aderiu a Irmandade Obreira de Ação Católica (em espanhol, HOAC).

(InfoCatólica)

Nota do blog Minuto Profético: "Desde o ano passado, o movimento pela guarda do domingo tem se intensificado na União Europeia, pretendendo mesmo até buscar assinaturas para levar ao Parlamento Europeu. Como pode ser visto, a Santa Sé nunca desistiu de suas pretensões de governar todas as nações e todas as consciências individuais, alcançando novamente a supremacia mundial. Sua grande marca é o domingo, e é por aí que todos deverão se curvar. Vale lembrar que isso representa um erro duplo: o verdadeiro dia de guarda na Bíblia é o sábado (sétimo dia), e nenhum dia de guarda deveria ser imposto por lei civil, uma vez que isso fere o princípio de separação entre Igreja e Estado."

sábado, 14 de maio de 2011

Anúncios pagos em Nova York profetizam o fim do mundo

Um aposentado americano, 60 anos, gastou US$ 140 mil em anúncios espalhados por toda Nova York que advertem que o fim do mundo vai acontecer no dia 21 de maio, convencido de que um poderoso terremoto provocará o caos em todo o planeta, informa nesta quinta-feira [ontem] o jornal New York Daily News.

Robert Fitzpatrick, que trabalhava no serviço de transporte público de Nova York, espalhou em diversos ônibus e vagões de metrô milhares de cartazes apocalípticos nos quais alerta que o dia do juízo final cairá no sábado da semana que vem. O americano gastou cerca de US$ 90 mil em propagandas no metrô e US$ 50 mil nos ônibus, indica a versão online do Daily News, que destaca que essa quantia representa as economias de toda a vida do homem. "Terremoto global! O maior de todos os tempos. Dia do juízo final: 21 de maio", anunciam os cartazes em questão, que mostram também a esfera de um relógio a ponto de marcar as 12 horas sobre uma fotografia de uma paisagem noturna de Jerusalém e um versículo da Bíblia.

Fitzpatrick começou a acreditar na fatídica profecia após conhecer o grupo cristão evangélico Family Radio, cujo pastor Harold Camping realiza presságios usando cálculos numerológicos e afirma que só os verdadeiros crentes se salvarão. Camping chegou a essa conclusão após supostamente estudar a Bíblia e porque, segundo ele, é uma data exatamente 7 mil anos depois que Noé se salvou do Dilúvio.

"A Bíblia Sagrada dá mais provas incríveis que 21 de maio de 2011 é exatamente o dia do Juízo Final", conta o site do grupo, que também colocou dezenas de propagandas em outras cidades dos Estados Unidos e do Canadá.

Fonte: Terra

NOTA: Essa falsa profecia já chegou ao Brasil (veja foto abaixo). Falsa porque o próprio Jesus já havia alertado: "Surgirão falsos cristos e falsos profetas". (Mt 24:24). "A respeito daquele dia e hora ninguém sabe". (Mt 24:36). Jesus voltará apenas depois que cada pessoa tiver tomado sua decisão e não antes da crise final... O grupo Family Radio já havia marcado antes outra data para o fim do mundo...

Daniel 2 - A história do mundo em 49 versos

Quando estava estudando a Bíblia para receber o batismo na Igreja Adventista do Sétimo Dia (em 1991), um dos capítulos que mais me impressionaram foi justamente Daniel 2. Como era possível que alguém vivendo cerca de 600 anos antes de Cristo* pudesse prever com tanta precisão e riqueza de detalhes a história da humanidade em apenas 49 versos? Ao mesmo tempo em que estudava as Escrituras, eu me preparava para o vestibular com o objetivo de cursar Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina. Naquela época, eu já sabia que para ser um bom redator era necessário saber escrever com clareza, concisão e dar o máximo de informação no menor espaço possível. Daniel fez exatamente isso!

Nesse capítulo, o profeta fala sobre o sonho que deixou Nabucodonosor intrigado. O monarca, sabendo que os astrólogos e adivinhos poderiam inventar algum tipo de interpretação (qualquer semelhança com as “revelações” vagas dos horóscopos de hoje não é mera coincidência), exigiu que eles lhe dissessem do que se tratava o sonho. Missão impossível, claro. Quando o rei disse que mataria todos os sábios, caso não lhe dessem a resposta, o desespero foi geral. Mesmo Daniel e seus amigos seriam punidos com a morte. Você acha que os hebreus se desesperaram também? Nada disso.

Daniel, Misael, Hananias e Azarias pediram tempo ao rei e foram para casa. Para quê? Simples: para orar pedindo a resposta a Deus. É em tempo de provação que o caráter se revela e aqueles moços conheciam suficientemente ao Senhor para saber que Ele não os deixaria na mão naquela situação. “Então foi revelado o mistério a Daniel numa visão de noite, pelo que Daniel louvou o Deus do céu” (Dn 2:19).

É bom lembrar que para receber a revelação de Deus Daniel havia se preparado adequadamente. Além de ser um jovem de oração, ele cuidava da saúde física, lembra? Naquele tempo, ele não tinha como saber disto, mas o fato é que o cérebro funciona como uma espécie de “antena parabólica” que Deus usa para Se comunicar conosco. Bebidas e alimentos impróprios acabam danificando essa “antena” e ofuscando os sinais. Se quisermos ouvir claramente a voz de Deus e ter discernimento claro, devemos imitar Daniel e seus amigos e manter nossa “antena” limpa.

Depois de receber a revelação, Daniel procurou o chefe dos eunucos e lhe pediu algo que deixa sua bondade ainda mais evidente: “Não mates os sábios de Babilônia” (v. 24). Inacreditável! Aquela era a chance de o profeta se livrar de uma vez por todas de seus invejosos concorrentes: os astrólogos, os magos e os feiticeiros. Mas não. Naquele momento, Daniel revelou o amor incondicional de Deus que ama até mesmo o maior dos pecadores (embora não aceite seus pecados).

Na presença do rei, o chefe dos eunucos tentou levar vantagem. Disse que havia achado alguém que tinha a resposta do enigma. Mentira. Fora Daniel quem se dirigira até ele. O profeta hebreu deixou esse detalhe de lado e atribuiu a verdadeira honra a quem de direito: “O mistério que o rei requer nem sábios, nem encantadores, nem magos, nem adivinhos o podem descobrir ao rei, mas há um Deus nos céus, o qual revela mistérios; Ele fez saber ao rei Nabucodonosor o que há de ser no fim dos dias” (v. 27, 28). No verso 11, os astrólogos haviam se saído com esta: “Só os deuses podem dar a resposta que o rei quer, mas eles não habitam com os homens.” Bela desculpa! Daniel contradiz os pretensos adivinhos e afirma que há, sim, um Deus no Céu que Se interessa pelo ser humano e interage com ele revelando Sua vontade.

Séculos depois, o grande cientista Isaac Newton expressaria essa mesma verdade nas seguintes palavras: “A autoridade dos imperadores, reis e príncipes é humana; a autoridade dos concílios, sínodos, bispos e presbíteros é humana. Mas a autoridade dos profetas é divina” (As Profecias do Apocalipse e o Livro de Daniel, p. 26).

Daniel aproveitava toda oportunidade para falar de Deus, pois sabia que Ele é o único que pode dar sentido à vida das pessoas e cuja palavra é confiável e autorizada. Não procurava chamar atenção para si, mas apontava sempre ao Senhor a quem servia.

Ao revelar exatamente o que o rei havia sonhado, Daniel conquistou-lhe o respeito e a confiança de que certamente também poderia interpretar o sonho. É interessante notar que os pensamentos do rei antes de ter o sonho diziam respeito ao que “há de ser depois disto” (v. 29), ou seja, tinham a ver com o futuro. E Deus lhe concedeu um vislumbre dos séculos seguintes por meio de uma metáfora em forma de estátua. Aparentemente, se tratava de uma simples figura humana composta por vários metais: cabeça de outro, braços e peito de prata, ventre de cobre, pernas de ferro e pés de ferro misturado com barro. Não fosse a interpretação de Daniel, dada nos versos 37 a 45, aquele seria mais um sonho sem pé, nem cabeça – melhor dizendo, esse teria pé e cabeça... mas não teria sentido algum.

Segundo o profeta, cada metal da estátua representa um reino que sucederia Babilônia, e é aí que a precisão histórica da profecia surpreende, porque foram exatamente três grandes reinos (Medo-Pérsia, Grécia e Roma) que surgiram no cenário mundial depois da Babilônia (o ouro), representados, respectivamente, pela prata, o cobre e o ferro. E depois de Roma? Na sequência de metais surge uma mistura estranha: ferro com barro. E todo mundo sabe que eles não se misturam. Perfeito de novo! Com a fragmentação do Império Romano (as pernas de ferro), os povos bárbaros que o invadiram formaram dez reinos (o mesmo número de dedos dos dois pés da estátua), em parte fortes (ferro), em parte fracos (barro), segundo o verso 42.

Os governantes desses reinos tentaram a unificação por meio de casamentos (v. 43), mas não deu certo. Na profecia, nunca mais surgiria um reino mundial depois de Roma. Carlos Magno, Napoleão Bonaparte, Kaiser Guilherme e Adolf Hitler bem que tentaram, mas contra a profecia não tem jeito. E é assim que a Europa permanece até hoje: fragmentada em Estados independentes. Mas como termina o sonho?

No verso 44, Daniel diz que “nos dias desses reis”, ou seja, na época da Europa, uma pedra (símbolo inequívoco de Jesus e Seu reino, conforme Ef 2:20; 1Co 10:4; Lc 20:17, 18), cortada sem auxílio de mãos humanas, atingirá a estátua nos pés, fazendo-a desabar. Essa pedra encherá toda a Terra (v. 35). Dessa forma, Daniel não apenas descreve a sucessão dos impérios, mas também localiza a volta de Jesus numa época específica: a da Europa, que existe desde 476 d.C.

Esse sonho relatado no capítulo 2 de Daniel fornece uma espécie de base sobre a qual as profecias seguintes e mais complexas do livro (e mesmo do Apocalipse) serão construídas. Conforme escreveu Newton, “entre os velhos profetas, Daniel é o mais específico na questão de datas e o mais fácil de ser entendido. Por isso, no que diz respeito aos últimos tempos, deve ser tomado como a chave para os demais” (ibidem, p. 26).

O grande cientista inglês disse ainda que “a realização de coisas preditas com grande antecedência será um argumento convincente de que o mundo é governado pela Providência” (ibidem, p. 180).

Nabucodonosor percebeu isso e o impacto da revelação do sonho foi tão grande sobre o rei que ele disse: “Certamente o vosso Deus é Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador de mistérios” (v. 47).

Esse mesmo Deus que guia a história quer dirigir a sua vida. Você aceita?

(Michelson Borges, jornalista e mestre em teologia)

Pense e discuta:

1. Qual a sua reação quando as coisas dão errado?
2. O que você pode fazer para melhorar sua vida de oração?
3. O que você sente ao perceber que Deus tem a história nas mãos?
4. O que a precisão histórica da Bíblia lhe diz sobre a confiança que podemos ter na Palavra de Deus?

(*) Daniel é de fato uma obra do sexto século? Para muitos estudiosos modernos, não. As profecias referentes a persas, gregos e romanos são “prova”, de acordo com esses autores, de que Daniel era uma espécie de “repórter”, falando do que acontecia em seus dias. Portanto, as profecias de Daniel teriam surgido mais tarde, uns cem anos antes de Cristo. É claro que esse entendimento é válido para aqueles que não acreditam que os profetas sejam realmente capazes de prever o futuro, como a Bíblia mesma ensina. Por outro lado, Gleason Archer, conhecido estudioso do Antigo Testamento, argumenta que somente um autor tão antigo poderia falar com tanta exatidão do sexto século (cf. Merece Confiança o Antigo Testamento?, p. 345). Ou seja, Daniel conhece o século 6 a.C. pela mesma razão que você e eu conhecemos tão bem o século 21 – porque ele viveu naquele período. E ainda que o livro fosse mais recente, continuam impressionantes as profecias acerca do Império Romano e da atuação da “ponta pequena”. Leia mais sobre isso no Apêndice.

Deus e deuses

O que faz o Deus cristão diferente de outros deuses, nos quais os povos acreditaram ao longo da História? Francis Schaeffer dizia que os deuses poderiam ser de dois tipos: pessoais ou infinitos. Para ele, o Deus da Bíblia era o único a reunir as duas características.

Note, por exemplo, um texto típico sobre isto: “Pois assim diz o Alto e Sublime, que vive para sempre, e cujo nome é santo: ‘Habito num lugar alto e santo [Deus é infinito], mas habito também com o contrito e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito do humilde e novo alento ao coração do contrito [Deus é pessoal]’” (Isaías 57:15).

Na narrativa de Daniel, é patente essa diferença entre Yahweh e os deuses babilônicos. Instados por Nabucodonosor a descrever seu sonho e a expor sua interpretação, os sábios retrucaram (Dn 2:11): apenas os deuses poderiam atender o rei, mas os tais “não habitam com os homens” [deuses infinitos, impessoais]. Em contraste, na presença do rei, Daniel expressou haver “um Deus no céu” [infinito], o qual revela os mistérios [pessoal, pois Se comunica, revelando-Se e à Sua vontade aos homens]” (v.28).

Deus é único e o único que pode nos salvar (Is 45:22).

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segunda-feira, 9 de maio de 2011

A historicidade confiável do livro de Daniel

Podemos confiar na historicidade do livro de Daniel?

Há pelo menos três bons motivos para acreditarmos que o livro de Daniel é confiável do ponto de vista histórico e que de fato foi escrito no 6º século antes de Cristo:

1) A arqueologia tem reconstruído as informações históricas do livro de Daniel.

a) Toda a história desse profeta hebreu se passa na cidade de Babilônia. Os críticos da Bíblia afirmavam que se Babilônia realmente houvesse existido, não passaria de um pequeno clã. A arqueologia demonstrou o oposto. Os resultados dos estudos do arqueólogo alemão Robert Koldewey, feitos entre 1899 e 1917, provaram que Babilônia era um grande centro econômico e político no Antigo Oriente Médio na metade do 1º milênio a.C. (600 a.C.). [Leia mais]